ENTRE JUNGLE CHIC E O CINEMA NOIR: UM REFÚGIO COSMOPOLITA EM IPANEMA

No coração de Ipanema, na Rua Rainha Elizabeth, um apartamento de 115 m² passou por uma transformação profunda até se tornar um refúgio cosmopolita com alma tropical. O projeto é assinado pela arquiteta Andrea Duarte, com decoração de Anna Malta, e nasceu de um pedido ousado dos proprietários. A proposta era criar um imóvel que unisse o refinamento de Tom Ford à sofisticação despojada de James Bond, com uma pitada vibrante de tropicalismo carioca.

O apartamento pertence a um casal franco-norueguês que já investe em imóveis para locação de curta temporada em países como Marrocos e Portugal. A intenção era clara. O endereço no Rio precisava ter forte apelo internacional e, ao mesmo tempo, refletir a identidade solar da cidade. Mais do que hospedagem, o objetivo era oferecer experiência.

Quando foi adquirido, o imóvel apresentava a planta tradicional compartimentada. Havia uma suíte, dois quartos, banheiro social, sala isolada, cozinha fechada e dependências. Escuro e pouco funcional, o espaço não dialogava com a proposta contemporânea desejada.

A reforma foi praticamente estrutural. Mantiveram-se apenas o perímetro externo e o piso original de ipê na sala e nos quartos, preservado como memória material do apartamento. Todo o restante foi redesenhado para privilegiar integração, fluidez e entrada de luz natural.

A nova planta passou a contar com duas suítes confortáveis. A cozinha foi integrada à área social, ampliando a sensação de continuidade. O antigo banheiro que atendia os quartos deu lugar a uma saleta descontraída com mesa de totó, criando um ponto inesperado de leveza.

Um lambri de madeira da década de 1970 foi reaproveitado e remanejado para revestir uma das paredes desse ambiente. O elemento adiciona textura e identidade, conectando passado e presente.

Nos dormitórios, a paleta reforça a personalidade do projeto. Um deles foi pintado em verde exército. O outro recebeu terracota suave. Tons densos e acolhedores que criam atmosferas intimistas.

Se a arquitetura definiu a nova espacialidade, a decoração consolidou a narrativa estética. Anna Malta apostou em uma leitura jungle style que vai além da presença de plantas e assume o verde como fio condutor da composição.

A icônica Poltrona Jangada, de Jean Gillon, revestida em couro verde, sintetiza esse encontro entre brasilidade e sofisticação cosmopolita. A peça, símbolo do design modernista brasileiro, imprime caráter e história ao ambiente.

Obras de arte, luminárias marcantes e papéis de parede, muitos trazidos da Espanha e de outros países pelos proprietários, ampliam o repertório cultural do espaço. Cada elemento reforça o diálogo entre diferentes referências internacionais.

A vegetação ocupa papel central na atmosfera do apartamento. O proprietário norueguês, apaixonado por jardinagem, fez questão de plantar pessoalmente as jardineiras e vasos distribuídos pelos ambientes. As plantas filtram a luz, criam sombras e introduzem frescor, intensificando a conexão com o entorno carioca.

Durante o dia, a luminosidade natural evidencia texturas, fibras e tons terrosos. À noite, a iluminação cria cenários mais intimistas e sofisticados. O apartamento se transforma conforme o uso e o horário.

Concluído em cinco meses, o projeto traduz uma tendência contemporânea no mercado de locação de curta temporada. Espaços autorais, com identidade forte e experiência sensorial.

Em Ipanema, este endereço reúne moda, cinema, design brasileiro e tropicalidade em uma narrativa coerente. Um refúgio pensado para encantar viajantes do mundo todo e oferecer uma vivência única do Rio de Janeiro.

Fotografia: Gustavo Bresciani

Projeto: Andrea Malta e Anna Duarte