UMA NOVA IDENTIDADE
Quando a arquiteta Andrea Buratto foi chamada para transformar esta casa em Belo Horizonte, encontrou um imóvel que já fazia parte da história dos moradores há cerca de 20 anos. A residência, originalmente toda branca, tinha mármores claros, esquadrias brancas e uma atmosfera bastante neutra. O pedido inicial era renovar a decoração, mas, diante dos muitos desníveis e dos espaços que poderiam ser melhor aproveitados, o projeto naturalmente tomou outro rumo. A casa pedia mais do que uma mudança estética. Pedia uma nova maneira de ser vivida. As esquadrias existentes foram mantidas, enquanto paredes foram retiradas, ambientes ganharam novas proporções e uma varanda no segundo pavimento foi ampliada e fechada com vidro, aproximando os interiores da paisagem. Uma copa intermediária também foi criada, e o banheiro da suíte passou por uma transformação completa.

A nova identidade começou a aparecer principalmente na escolha dos materiais. O branco deu lugar a uma paleta mais profunda, construída a partir de basalto, porcelanato, madeira e couro. As pedras ganharam protagonismo e foram combinadas de maneira cuidadosa, criando contrastes de textura e tonalidade sem perder a elegância. Na sala de jantar, a mesa existente foi redesenhada para criar uma composição diferente, mostrando como pequenas decisões também poderiam transformar a percepção dos ambientes. A intenção não era criar uma casa completamente nova, mas revelar uma versão mais autêntica daquela que já existia.

Foi, porém, na área gourmet que a transformação se tornou mais radical. Espaços que antes estavam praticamente sem função passaram a abrigar uma sala de massagem e uma academia. O antigo canil deu lugar a uma adega e a um ambiente pensado para os momentos de lazer do morador, com mesa de sinuca e espaço para jogar pôquer. A intervenção também abriu a casa para a cidade: parte dos muros foi retirada e substituída por grandes planos de vidro, permitindo que a vista de Belo Horizonte participasse diretamente da experiência dos ambientes.

Do lado de fora, a piscina ganhou um novo desenho, acompanhada por um spa e uma pérgola que organiza a área de convivência. Elementos metálicos ajudam a estabelecer uma transição delicada entre arquitetura e paisagismo, enquanto os muros em verde criam um fundo discreto para a vegetação.

Em outro dos níveis, um subsolo que permanecia sem uso foi transformado no escritório dos moradores, aproveitando uma característica muito particular dos terrenos de Belo Horizonte: o desnível como possibilidade, e não como obstáculo. Ao final, a antiga casa branca deu lugar a uma residência mais acolhedora, marcada pela matéria, pelos contrastes e pela paisagem. Uma transformação que preservou sua história, mas encontrou uma nova forma de contá-la.
Projeto: Andrea Buratto
Fotografia: Divulgação
















