Um refúgio na serra, assinado por Escala Arquitetura

Na região serrana do Rio de Janeiro, onde a paisagem se torna parte da experiência de morar, uma residência de 1.300 m² projetada pelo escritório Escala Arquitetura traduz o equilíbrio entre arquitetura contemporânea, conforto e natureza. Localizada em Araras, distrito de Petrópolis, a casa foi concebida para estabelecer uma relação contínua com o entorno, privilegiando a luz natural, os grandes vãos e a integração entre os ambientes internos e externos.

Assinado pelas arquitetas Carolina Escada e Patrícia Landau, o projeto nasceu do desejo dos moradores, Simone Rodrigues, engenheira e proprietária da S. Rodrigues Engenharia, e Iran Coelho, economista, de viver em uma casa essencialmente térrea. A filha do casal, a arquiteta Isabela Coelho, também participou do desenvolvimento do projeto, resultado de uma relação de confiança construída ao longo de mais de 15 anos entre clientes e escritório.

O terreno estreito e com forte declividade foi o ponto de partida para a solução arquitetônica. Em vez de um único volume, a residência foi organizada em três blocos independentes, conectados por amplos corredores. Um deles concentra cozinha, sala de TV e área de serviço; outro reúne os espaços sociais, integrando estar, jantar e varanda gourmet; enquanto o terceiro abriga as seis suítes, garantindo privacidade sem perder a conexão com a paisagem.

A topografia também permitiu a criação de um pavimento inferior dedicado ao lazer, com sala de estar, bar, academia, sauna, ofurô e capela. Sobre esse nível, uma ampla laje gramada acomoda a área externa, onde a piscina de desenho orgânico e borda infinita se abre para a vista das montanhas, tornando-se um dos principais pontos de contemplação da residência.

A materialidade reforça a proposta acolhedora da casa. Madeira e pedra aparecem em diferentes escalas, desde os revestimentos até as marcenarias sob medida executadas em peroba-mica e peroba-do-campo. O forro ripado em cumaru, os pisos de madeira de demolição na ala íntima, o granito rústico, o caco de pedra São Tomé e a pedra madeira compõem uma linguagem que une rusticidade e sofisticação de forma natural.

Nos interiores, a paleta privilegia tons neutros, complementados por nuances de verde, mostarda e terracota. A seleção do mobiliário reúne peças de importantes nomes do design brasileiro, como Bernardo Figueiredo, Jorge Zalszupin, Jean Gillon e Aristeu Pires, ao lado de móveis garimpados, objetos vintage e lembranças de viagens da moradora, conferindo identidade e personalidade aos ambientes.

Segundo a arquiteta Patrícia Landau, o maior desafio foi transformar um terreno estreito e com acentuada declividade em uma residência com sensação de linearidade e fluidez. O resultado é uma arquitetura que acompanha o relevo em vez de enfrentá-lo, criando uma casa onde natureza, materialidade e bem-estar convivem em perfeita sintonia.

Fotografia: Juliano Colodeti