A CASA COMO PERCURSO
Na Praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, uma residência de três pavimentos ocupa um terreno de 590 m², com 990 m² de área construída. Assinada por Rafa Gomes e Sandro Batalha, do StudioPlano, a casa nasceu de uma mudança de planos: o imóvel existente, que inicialmente seria reformado e ampliado, apresentou limitações estruturais que inviabilizaram a intervenção. A demolição deu lugar a um projeto completamente novo, desenvolvido para acompanhar a dinâmica de uma família formada por um casal, três filhas, um bebê a caminho e quatro cachorros.

O pedido dos moradores era por uma casa ampla, com ambientes generosos e uma convivência mais integrada. A partir disso, os arquitetos organizaram o programa de maneira linear, acompanhando o formato retangular e alongado do terreno. Na frente, grandes planos em tons de grafite definem o volume que abriga a garagem e o foyer. Logo depois, a área externa de lazer foi posicionada de maneira estratégica, favorecendo também o uso da casa em momentos de receber convidados.

O corpo principal concentra os ambientes sociais no térreo e a área íntima no pavimento superior. No último nível, uma academia se conecta a uma varanda destinada à prática de exercícios ao ar livre. Aos fundos, ficam os setores técnicos e de serviço, preservando a organização e a funcionalidade do conjunto.

A arquitetura parte de uma volumetria contínua, que evita a compartimentação excessiva e conduz a circulação por transições suaves entre os espaços. O concreto estabelece a base construtiva, enquanto as fachadas ganham diferentes texturas e tonalidades a partir de painéis ripados de alumínio com acabamento amadeirado, além de preto e grafite.

Um dos elementos mais marcantes aparece no lado direito da fachada. O volume revestido em madeira acompanha o percurso desde o portão de entrada até o interior da residência e abriga a área gourmet, conectada à sauna. A solução reforça uma das premissas centrais do projeto: aproximar os ambientes internos e externos e tornar essa relação parte da experiência cotidiana da casa.

No térreo, grandes esquadrias de vidro ampliam a sensação de continuidade. Quando abertas, praticamente dissolvem os limites entre os ambientes e o jardim. Do lado de fora, a piscina acompanha o perímetro da residência e foi implantada de modo a receber melhor a insolação. Com hidro e raia para natação, o espaço assume papel central na área de lazer.

A materialidade mantém a mesma lógica de continuidade. O porcelanato com acabamento que remete ao cimento queimado percorre os ambientes internos e externos do térreo, enquanto a sala de jantar recebe um tratamento mais expressivo: piso, paredes e teto são revestidos com pequenas peças de mármore travertino, criando uma atmosfera envolvente e marcada pela textura da pedra.

Nos dormitórios, o piso de madeira tauari acrescenta conforto e calor aos espaços. A marcenaria acompanha essa variação de atmosferas, alternando MDFs em tons amadeirados claros, ebanizados, brancos, rosa-claro e verde-malva.
A decoração segue uma estética contemporânea e essencial, construída a partir de linhas limpas, materiais atemporais e uma paleta predominantemente neutra. A madeira aparece como contraponto aos tons mais sóbrios da arquitetura, trazendo acolhimento sem romper com a linguagem minimalista da residência. Todo o mobiliário foi escolhido especialmente para a casa, priorizando peças leves e versáteis.

Entre os elementos que se destacam está o balanço instalado na varanda, que reforça a conexão com o exterior e convida à permanência. No interior, a poltrona Vivi, de Sergio Rodrigues, posicionada ao lado da adega, acrescenta ao projeto uma peça de forte identidade do design brasileiro.
Do primeiro traço à conclusão da obra e da decoração, foram cerca de dois anos de trabalho. Para Sandro Batalha, a dimensão do projeto exigiu um acompanhamento atento de todas as etapas, desde as decisões estruturais e espaciais até a escolha dos detalhes. “Desenvolver um projeto do zero nessa escala exigiu grande dedicação, em função do elevado número de etapas, itens e fornecedores envolvidos. A necessidade de pensar, compatibilizar e acompanhar cada decisão, do macro ao micro, ao longo de todo o processo, representou uma responsabilidade significativa”, finaliza o arquiteto.
Arquitetura: Rafa Gomes e Sandro Batalha | StudioPlano
Fotos: @LuizaSchreier














